Pesca, piscicultura e turismo : análise dos conflitos socioambientais no monumento natural do Rio São Francisco - MoNaRSF

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Data

2026-01-30

Currículo Lattes

http://lattes.cnpq.br/5404424218582801

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Editor

INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS - Ifal

Resumo

A criação de Unidades de Conservação é uma das principais estratégias da política ambiental brasileira para a proteção da biodiversidade e dos recursos naturais, mas, a implantação dessas áreas tem gerado conflitos em decorrência da sobreposição entre os objetivos conservacionistas e os interesses difusos das populações que utilizam esses territórios. Esses conflitos não estão relacionados somente com questões ambientais, também envolvem questões de ordem econômica, social e, principalmente, política, que se apresentam desde o processo de criação e implantação, até o manejo e gestão dessas áreas; é um tema bastante atual cuja reflexão teórica ainda não está consumada. No Monumento Natural do Rio São Francisco, Unidade de Conservação de Proteção Integral, criada com o objetivo de proteger e conservar as belezas naturais dos cânions do Rio São Francisco e importantes sítios arqueológicos, além de preservar uma amostra representativa do Bioma Caatinga e com a finalidade de promover o turismo sustentável e o desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais, esses conflitos surgem em decorrência de pressões antrópicas exercidas sobre os múltiplos usos do Reservatório da Usina Hidrelétrica de Xingó, especialmente devido à competição por recursos e aos impactos ambientais que afetam a qualidade da água. Nesse contexto, o presente estudo de caso foi desenvolvido com o objetivo de analisar os conflitos socioambientais decorrentes das interações entre a pesca artesanal, a piscicultura em tanques-rede e o turismo fluvial no Monumento Natural do Rio São Francisco, no intuito de fornecer subsídios à elaboração de uma política de gestão mais eficiente. A pesquisa foi conduzida sob uma abordagem quali-quantitativa, de caráter exploratória e descritiva, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental e pesquisa de campo, com aplicação de entrevistas semiestruturadas a pescadores artesanais, piscicultores e condutores de embarcações turísticas. A análise dos dados coletados se deu baseada nos preceitos da Ecologia Política estruturada pelo método materialista-histórico-dialético. Os resultados indicam que os conflitos são motivados, principalmente, por competição pelo uso dos recursos hídricos, pela disputa por áreas de acesso ao reservatório, pelos impactos ambientais sobre a qualidade da água e pela fragilidade dos instrumentos de ordenamento, fiscalização e mediação institucional. Evidenciou-se que os pescadores artesanais constituem o grupo mais vulnerável, sendo afetados, desde a construção dos barramentos do rio aos impactos cumulativos das atividades de piscicultura e turismo. Conclui-se que a ausência de regulamentação integrada e a limitada participação social nos processos de gestão contribuem para a intensificação desses conflitos e comprometem os objetivos de conservação da unidade. Como contribuição aplicada, o estudo fornece subsídios à elaboração de diretrizes técnicas voltadas ao ordenamento dos usos múltiplos da água e ao fortalecimento de uma gestão participativa, integrada e sustentável.

Descrição

Palavras-chave

Disputas ambientais, Comunidades locais, Educação ambiental, Unidades de conservação, Uso dos recursos naturais, Local communities, Environmental disputes, Environmental education, Protected Areas, Natural resource use

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